Anunciante
CHERNOBYL: A série que nos traz realidade sobre um desastre nuclear

Produção retrata uma das catástrofes da humanidade com viés de tragédia e podridão política

Anunciante

Brasil, 1987.

Dois catadores de papel encontram um aparelho de radioterapia e o levam para um ferro-velho. Após desmontarem o aparelho, os homens encontram uma cápsula de chumbo, com cloreto de césio em seu interior.

A coloração brilhante do césio no escuro impressiona Devair Ferreira, o dono do ferro-velho, que leva o “pó branco” consigo e distribuiu o material para familiares e vizinhos. Após o contato com o césio, náuseas, vômitos e diarreia atacam (a sobrinha de Devair foi a primeira a falecer, seis dias após ingerir o material).

 

Ao todo, onze pessoas morreram e mais de 600 foram contaminadas. A exposição à radiação atingiu 100 mil pessoas. O ferro-velho onde abriram a cápsula foi demolido, o comércio fechou e muitas pessoas se mudaram. As autoridades sanitárias construíram um depósito em Abadia de Goiás, cidade próxima, para armazenar as mais de 13 mil toneladas de lixo atômico, resultantes do processo de descontaminação da região.

Fukushima, 2011.

Localizada a cerca de 250 km ao norte de Tóquio, a usina nuclear Daiichi, em Fukushima, sofre danos em três de seus seis reatores, em 11 de março de 2011, depois de um terremoto de 9 graus na escala Richter ter atingido o país. Autoridades japonesas afirmam que os níveis de radiação liberada foram altos, quase preocupantes. O desastre foi classificado com grau 5 na Escala Internacional de Acidentes Nucleares (INES)

Foram estes os dois acidentes nucleares, entre outros, bem conhecidos na história recente. Porém o mais divulgado e de conhecimento popular, certamente foi o acidente de Chernobyl, em 1986. Onde o reator número 4 da usina soviética, na Ucrânia, explodiu durante um teste de segurança, causando a maior catástrofe nuclear civil da história, deixando mais de 25 mil mortos, segundo estimativas oficiais.

O acidente recebeu a classificação de nível máxima, 7. O combustível nuclear queimou durante 10 dias, jogando na atmosfera radionuclídeos de uma intensidade equivalente a mais de 200 bombas atômicas iguais à que caiu em Hiroshima. Três quartos da Europa foram contaminados.

Enquanto pudemos acompanhar pelos noticiários a evolução do caso de Goiânia com seus detalhes e progressão das doenças e contaminação daqueles envolvidos, e, no caso de Fukushima já com ampla divulgação e acompanhamento pela internet, inclusive pudemos acompanhar o sacrifício dos bombeiros japoneses, que mesmo sabendo do perigo radioativo e suas consequências, heroicamente foram até a usina na tentativa de controlar o incêndio e controlar o vazamento radioativo, ao custo de sua saúde e em alguns casos custando a própria vida.

Com Chernobyl tudo fora diferente. Envolto em mistérios, o acidente na época fora negligenciado e negado pelo próprio governo, durante dias e dias, deixando não somente as equipes de socorro como também a população a mercê dos efeitos maléficos do maior vazamento radioativo que já houve no mundo.

Porque isso agora nos é de interesse?

Simplesmente, porque a HBO fez o lançamento do que promete ser a melhor série deste ano. Apresentada como um drama fiel aos acontecimentos que envolveram essa tragédia, já em seu primeiro episódio nos comove com total horror e supressa ao acompanhar as atitudes e decisões daqueles que deveriam ter colocado a segurança da população em primeiro lugar e não a política ou quaisquer outras coisas.

A série mostra o drama humano, indo de Lyudmilla Ignatenko (Jessie Buckley), mulher de um bombeiro chamado para controlar o “incêndio”, a Anatoly Dyatlov (Paul Ritter), o responsável pela usina, que se recusa a aceitar que houve uma explosão do núcleo, porque achava que isso era impossível.

Na história temos Chernobyl como um exemplo do que não deve ser repetido, mas nunca pudemos ver e acompanhar o que realmente houve naqueles dias, como acompanhamos nas outras tragédias, e a série nos dá essa oportunidade. Acertando mais uma vez, a HBO nos proporciona um entretenimento com qualidade e conteúdo. Certamente, será premiada por sua qualidade indiscutível e interesse que vai gerar entre muitos espectadores.

Chernobyl está sendo transmitida as sextas-feiras, às 21h, com reprises em todos os canais HBO durante a semana em diversos horários. Uma das séries que não pode se deixar de assistir, pelo valor histórico, pela qualidade e até mesmo pelo respeito às milhares de vítimas, para sabermos ainda que em uma ficção apenas baseada em fatos reais, o que provavelmente aconteceu e mais importante, como acometeu.


Anunciante
O 018News não se responsabiliza pelas notícias de terceiros.
Copyright © 2018 018News. Todos os direitos reservados.