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Somos todos "d'eficientes"; três opções para entendermos o autismo

Três belas opções em filme e séries para aprendermos e refletirmos sobre o que é o autismo

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Vou começar plagiando minha companheira de site, Iara Cedran, dizendo: Vamos falar de autismo?

Mas como, sendo essa uma coluna destinada a filmes e séries, nossos passatempos preferidos?

Pois bem, no dia mundial de conscientização do autismo, lhe apresento três ótimas opções para conhecer melhor e assim compreender e respeitar aqueles que estão dentro do espectro. Começando com uma opção muito bem-humorada e divertida. Sim, encarar a vida com bom humor a torna mais leve e suportável.

Disponível na grade da Netflix com suas duas ótimas temporadas, Atypical nos apresenta a vida de Sam, um adolescente, chegando aos 18 anos, dentro do espectro autista. Sam decide arrumar uma namorada, tornar-se mais independente, levando toda família a uma aventura épica, que vai envolver a todos, em uma jornada de conhecimento, crescimento e aceitação.

A atuação de Keir Gilchrist (O Bom Vizinho, The Listener ) como Sam é impecável, acompanhando-o em sua jornada podemos aprender com ele, compreendendo suas dificuldades e isolamento típicos daqueles que estão no espectro. Sam precisa entender o mundo, entender os relacionamentos, entender as pessoas, como se isso fosse algo simples. No final, quem acaba por aprender com ele, somos nós mesmos, sobre nossa condição, nossos atos, e a forma como enxergamos aqueles que veem a vida um pouquinho diferente do que chamamos de normal.

Atypical, conta com nomes conhecidos, como Jennifer Jason Leigh (Twin Peaks: O Retorno, Revenge) e Michael Rapaport (Armadas e Perigosas, O Meu Nome é Earl ). Os dramas vividos na série servem para Sam amadurecer, compartilhando conosco sua visão de como o mundo é e como deveria ser. Acabamos por nos perguntar, quem realmente são os d’eficientes. Se aqueles que estão fora do espectro tem atitudes questionáveis e incompreensíveis. Cada temporada conta com 8 episódios e estão disponíveis na Netflix.

Minha segunda opção, e não poderia me esquecer desta, que é uma das melhores séries dos últimos anos, é The Good Doctor. No Brasil, traduzida para O Bom Doutor pela Globo. Emissora que impulsionou a série tendo em sua estreia, transmitido seus dois primeiros episódios como um apenas, no formato de telefilme, na Tela Quente, despertando assim o interesse do público no personagem e seu drama.

Inspirada por uma série homônima sul-coreana de 2013, e tendo sua versão americana assinada por David Shore, criador da saudosa House Md, The Good Doctor nos conduz pelo drama de Shaun Murphy, um jovem diagnosticado com Síndrome de Asperger. Esta condição é uma perturbação do espectro autista e savantismo, o que explicaria sua condição de prodígio.

Acompanhamos Shaun em sua luta para se transformar em um cirurgião mesmo com todas as dificuldades que sua condição lhe impõe. Vamos acompanhar histórias de amor e superação, torcer pelo personagem carismático que ele é. E acima de tudo também aprender com ele. Aprender que um sonho ainda que "impossível" deve ser buscado, aprender que a vida só faz sentido se lutarmos por aquilo que acreditamos, ainda que todos ao nosso redor digam que não somos capazes.

Shaun é um exemplo de superação, de força de vontade, e nos mostra que ser diferente não é necessariamente ser inferior. As experiências de Shaun com seus amigos, seus pacientes, e a evolução dele mesmo como pessoa nos faz acreditar em um mundo um pouquinho melhor do que esse que estamos vivendo, e me faz questionar novamente, quem realmente é "d’eficiente".

Shaun é interpretado por Freddie Highmore (Bates Motel, As Crónicas de Spiderwick ), que apesar da idade, demonstra imenso talento e agilidade no papel do Doutor Murphy, sendo acompanhado por um elenco muito talentoso também, contando com: Nicholas Gonzalez (Narcos, The Flash) e Richard Schiff (Counterpart, House of Lies, Homem de Aço). The Good Doctor está disponível pelo Globo Play.

Por fim, como ótima opção, temos um filme. O autismo é tema recorrente em ótimos filmes já produzidos como Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador (1993), estrelado por Leonardo DiCaprio e tendo sua primeira indicação ao Oscar pelo papel, ou Rain Man, de 1989, que concedeu o primeiro Oscar de melhor ator para Dustin Hoffman pelo papel.

Mas para hoje temos algo mais atual e mais sensível. Baseado em uma história real, o filme, Farol das Orcas, de 2016. Foge do circuito americano sendo uma produção Argentina. Seu diretor, Gerardo Olivares, consegue com sensibilidade contar a história de Roberto Bubas, que foi guarda-fauna da Península Valdés, no estado da Patagônia, e Tristão, que é levado até a Patagônia por sua mãe, depois deste esboçar reações ao assistir Roberto se comunicando com as baleias Orcas do título. Reações estas nunca antes demonstradas por Tristão, estando ele no espectro autista.

O drama se desenrola entre o relacionamento de Tristão, Bubas e as baleias, que têm papel e significado muito importante para ambos. Não devemos esquecer que se trata de uma história real, já documentada até mesmo pelo canal Animal Planet, o qual foi divulgado em diversos países

Na Espanha, por exemplo, um menino autista de nove anos assistiu e reagiu pela primeira vez após ver como o Roberto brincando com as orcas, dando origem ao filme que vemos. A fotografia é um deleite à parte e as filmagens com as baleias tiram o folego de qualquer um.

Farol das Orcas é um filme sensível, emocionante e muito bonito, feito para família e para que possamos entender o mundo dos autistas e suas particularidades. Farol das Orcas, está disponível na grade da Netflix. Espero que gostem.

* Cristiano Bezerra é empresário do setor de informática e escreve sobre filmes e séries para o 018 News.


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