Anunciante
A descoberta da deficiência e o luto que vivemos

Os sentimentos e sensações provocados após a descoberta de um problema é tema da coluna de Iara

Anunciante

Olá, pessoal!!

Como passaram o carnaval??? Foram pra folia ou ficaram em casa mesmo??? Me conta como foi!!! Vamos trocar experiências, quais foram as suas dificuldades em relação aos filhos??? Estou ansiosa pra saber.

Mas como o carnaval passou, como prometido eu voltei!

Eu disse que falaríamos sobre o luto hoje, e assim faremos.

Eu sou da opinião que antes de qualificar qualquer deficiência, temos que falar sobre o luto, indiferente se a deficiência atinge você direta ou indiretamente. O luto é algo muito sério, que não tem tempo previsto pra acabar.

Ah, Iara, mas porque luto???

Vamos colocar a cachola pra funcionar, nós mulheres carregamos a vida de outro ser humano dentro de nós por 9 longos meses, sentimos dores, enjoos, hormônios entre várias outras coisas, indiretamente todos os envolvidos fazem parte de toda essa loucura que é uma gestação, mas aí a mágica da vida acontece, seu filho nasce aquele serzinho lindo, nós olhamos pra ele e já imaginamos suas primeiras palavras, seus primeiros passos, após um tempo passamos a imaginar seu primeiro dia na escola, seus novos amigos, professores, mais pra frente nós mães quando temos meninos já imaginamos a primeira namorada (aí já rola aquele ciuminho) e com os pais isso geralmente acontece com a meninas, enfim, imaginamos até a festa de formatura os netos.

Aí, com o decorrer do tempo, vemos que algo ali na nossa criança fugiu do que estamos acostumados a ver (nunca diga que não é normal, É NORMAL SIM!, pode não ser pra você mas pra criança é, se atentem sempre a isso), aí então recebemos um diagnóstico, que por muitas vezes até desconfiamos, mas não queremos aceitar. Seja qual for o diagnóstico, seja TEA, TOD, DÉFICIT DE ATENÇÃO, DISLEXIA, TDAH, DI (não dá prá colocar todos, pois ficaríamos a eternidade aqui), no momento do diagnóstico você pega aquele filho que falamos lá atrás e mata ele (não literalmente gente, por favor!!!).

Pois a partir do diagnóstico, nasce uma nova criança, que na maioria das vezes, não tem um futuro previsto por nós, não por amar menos aquela criança, mas pelo fato que não sabemos como lidar com a situação. Muitas vezes não entendemos o que o transtorno causa, não sabemos onde é a criança onde é o TOD, por exemplo. E como pais renascemos para essa nova criança que acaba de surgir, guardamos aqueles planos na nossa caixa emocional e passamos a trabalhar com outros fatos.

O luto é muito difícil, mais para uns menos para outros, mas sejam sempre atentos, você tem todo direito de ficar de luto, de sentir a sua dor, de gritar, chorar e se descabelar, porém, seu filho não pode esperar seu luto passar para que você faça algo a favor dele. Viva seu luto, mas não queira que seu filho viva com você, vá sempre o mais rápido possível se informar sobre o que é exatamente que seu filho tem, procure profissionais capacitados para tratá-lo, observe os sinais, leia, escrafunche, procure grupos de apoio, com certeza tem mais gente que já passou pelo que você está passando e pode te dar uma palavra amiga, uma orientação.

Mas tome muito cuidado com certas informações, eu me baseei muito em artigos científicos que me ajudaram a entender muita coisa sem ideias mirabolantes nem a pílula mágica do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”.

Mas o luto acaba, Iara???

Olha, sinceramente, acho que o luto é eterno. Pra mim o luto nunca acabou. Claro que cada um lida de formas diferentes. O luto ameniza, aprendemos a olhar pra ele com outros olhos, mas temos sempre que nos preparar, pois ele pode voltar.

Ah, não estou entendendo!!! Eu explico.

Quando recebi o diagnostico de Autismo do Pedro (meu filho) eu até já esperava, mas não era algo que me agradava, me senti perdida, sem chão, sem orientação. A impressão que me passou foi que me deram uma bomba e disseram, cuidado que vai explodir. Eu passava por uma fase muito conturbada, estava grávida do Emílio (meu bebezico), que eu, sinceramente, não consegui nem chorar.

O meu luto foi velado. Sofri muito em silêncio. Hoje aprendi a lidar com ele, mas o meu luto retorna todos os dias quando eu pego meu filho na escola e vejo que ele está sozinho (por opção dele). Meu luto retornou várias vezes quando era excluída das decisões nos grupos de pais, quando as pessoas olhavam torto pra mim em reuniões, quando eu tinha que arrumar briga e não era pouca para fazer valer os direitos do meu filho. Quando meu filho se jogava no chão nos lugares devido a grande carga sensorial pra ele e eu via olhares feios e julgamentos que todo mundo conhece.

Meu luto retorna a cada pequena coisa e vai embora a cada pequena vitória. Aprendi a lidar com o meu luto, aprenda a lidar com o seu e não deixe em hipótese alguma o seu luto atingir o seu filho.

Por hoje é só, curtam, comentem, chama o pai a mãe a vizinha o papagaio pra ler, informação nunca é demais! Espero ter te ajudado em alguma coisa.

Lembre-se que na próxima sexta estaremos juntinhos novamente, eu conto com você.

Juntos somos mais fortes!

Um abraço bem apertado e um super beijo. Sigam-me no Facebook e Instagram.

* Iara Cedran é profissional da ára de Educação e mãe e tia de meninos autistas. E-mail para contato: iaracedran@hotmail.com


Anunciante
O 018News não se responsabiliza pelas notícias de terceiros.
Copyright © 2018 018News. Todos os direitos reservados.