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O abril e a conscientização sobre autismo

Para falar de autismo temos que nos imaginar autistas, esse é o tema da coluna da Iara dessa semana

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Vamos falar de autismo?!
Aproveitando que o mês de abril chegou, e com ele o dia mundial da conscientização do autismo, vamos utiliza-lo para falar do mesmo.
Eu poderia começar como uma grande maioria explicando de onde vem o autismo e todo aquele blá blá blá, mas acho desnecessário, até porque, quando nós descobrimos o autismo nossa primeira ação é invocar o doutor Google para saber mais, onde geralmente essa é a primeira coisa que vemos.
Para falar de autismo, temos que nos imaginar autistas, temos que ser empáticos, sentir como o autista sente, entender esse universo, mas só se entende deixando de lado todos os nossos pré-conceitos, nos livrando do nosso senso comum, zerando tudo que já ouvimos falar, ou que pensamos saber.
O autismo para mim, é um dos transtornos mais complexos que existem, ele não tem cara, aparentemente não tem causa, na maioria das vezes não tem o mínimo de informação, a informação ao qual me refiro, é a informação que de fato fará diferença, não de onde ele veio e quem descobriu, mas sim a informação de como eles pensam, como eles sentem, os porquês de tudo que os envolve.
Quando meu filho recebeu o diagnóstico, fiquei muito desnorteada, por mais que suspeitemos, não queremos que nossas suspeitas sejam de fato reais, queremos estar enganados, mas é algo muito difícil de acontecer.
Como eu tinha informações muito rasas sobre o autismo, procurei me informar, mas eu não fui buscar informações tão rasas quanto eu tinha, procurei buscar a fundo o que era aquilo, como eu ajudava meu filho, fui sim no google, que por muitas vezes me deixou mais confusa do que eu já estava, foi quando eu comecei a procurar artigos acadêmicos, pesquisas de campo, artigos científicos entre outros (O Scielo é um ótimo site para isso). Só aí eu comecei a ver a verdadeira face do autismo, consegui entender o porquê e o para que de tudo, e sempre busquei mais informações e obtive resultados muito positivos para o meu filho, mas também para todos que estavam abertos a receber as informações que eu tinha para passar, claro que isso levou um tempo, mas não dizem que se estamos na chuva é para se molhar?! Então!!!
Tive muitas dificuldades, muitas dúvidas. Dúvidas essas que nem médicos conseguiram sanar, terapeutas não conseguiam solucionar, a única coisa que eu ouvia era “ Ai mãe, você tem que aceitar”, mas eu já tinha aceito, eu precisava era de informação, não de conformismo. Por isso sempre digo, muito cuidado com terapias, farei um post mais par frente sobre. Mas estejam sempre atentos, quanto mais conhecimento temos, mais cobramos dos terapeutas, e é assim que descobrimos quando a terapia de fato está sendo satisfatória. Hoje, após 3 anos consegui resposta para muitas perguntas que se solucionadas na época, teriam dado um avanço muito grande para o meu filho. Mas águas passadas não movem moinhos, então fica esse alerta.
Acho divino as movimentações que vejo no mês de abril, porém, gostaria de vê-las o ano todo, coisa que não vejo, muitas vezes não vejo nem de pessoas envolvidas na causa, o autismo não dura um mês, não se manifesta só dia 2 de abril, temos que mudar esse cenário dia a dia.
Vejo muito as pessoas nomearem mães de autista como mães problema, acho isso um absurdo, quando o título perfeito seria “sociedade problema”. Nós mães de autistas, não somos problema, somos a solução para que se façam valer os DIREITOS dos nossos filhos, direitos esses garantidos pela CONSTITUIÇÃO, que as pessoas insistem em dizer que não temos, ou contestar a validade dos mesmos.
Meu filho e qualquer outro cidadão autista, indiferente do seu grau tem direito a atendimento preferencial, tem direito a comprar carro com isenção, tem direito a cartão de estacionamento preferencial, tem direito a um auxiliar escolar, enfim, é direito garantido por lei, não teria que ser discutido, não teria que ter briga, não teria que ser desgastante. Informação é tudo meus queridos, nós só vamos parar de ser mães problema quando a informação atingir o maior número de pessoas possíveis, quando pessoas que não tem envolvimento nenhum com o autismo tiver informação suficiente para defender o direito de um autista como defendem o direito de um cadeirante por exemplo.
Para fazer valer os direitos do meu filho já ouvi muito desaforo, em vagas de deficiente já ou que meu filho andava, já chamaram a polícia para mim por estacionar meu veículo devidamente identificado em vaga especial, já ouvi a moça do caixa dizer que meu filho não parecia deficiente para eu estar ali, já ouvi tanta coisa, que estaria escrevendo de Paris se me pagassem por desaforo.
Não percam a força, nós somos fortes por natureza, vamos continuar vencendo batalhas dia após dia, doa a quem doer nós nunca desistiremos.
Teremos muito para conversar esse mês, conto com a companhia de vocês, e muito obrigada por estar comigo até aqui.
Juntos somos mais fortes, sempre!!
Um super beijo e até semana que vem.

 

* Iara Cedran é profissional da área de Educação e mãe e tia de meninos autistas. E-mail para contato: iaracedran@hotmail.com
 


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