JUSTIÇA
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ARTIGO
Mídia alternativa e reorganização do tabuleiro democrático

Advogado fala sobre o papel da opinião pública na democracia e a possibilidade de ser influenciada

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Com a consolidação (ao menos formal) dos sistemas democráticos no mundo pós Segunda Guerra, a opinião pública passou a ser o grande vetor político na Sociedade. Isto é, a partir dali, os governantes não seriam mais impostos pela força de fuzis, mas seriam conduzidos aos postos apenas se fossem legitimados pela opinião pública, através do voto. 

Na mesma época, firmou-se a noção de liberdade de imprensa e a atuação de jornalistas e veículos midiáticos tinha como principal função a cobertura dos fatos políticos e a (in)formação do público em geral, fornecendo-lhe elementos para tomada de decisões políticas com imparcialidade: surgiam os grandes jornais, rádios e redes de televisão, que hoje são o que se conhece por grande mídia ou mídia mainstream. 

Entretanto, há um problema intrínseco a esse ideal: a opinião pública pode ser manipulada através de técnicas de propaganda e psicologia de massa e, quando isso ocorre, não se está mais sob um “governo do povo”, mas sob um governo de quem controla a opinião pública. 

Não é segredo que a grande mídia, em regra, deixou de lado a necessária imparcialidade e passou a ter uma atuação mais política que jornalística, sobretudo (mas, não apenas), após as idéias marxistas de infiltração nesses órgãos. E, atualmente, essa atuação política é notada pela maioria da população, já que apenas cerca de 30% dos brasileiros confiam na grande mídia. Nos Estados Unidos esse número chegou a 32% em 2016 e na Europa a 19% em 2015.  

Esse descrédito em muito se deve ao surgimento de uma concorrência que a mídia mainstream desconhecia antes da disseminação da internet: a mídia alternativa. Se antes a veiculação de notícias dependia de estruturas caras, satélites e influência política, atualmente podem ser veiculadas por um celular com conexão à internet. Não há mais apenas um núcleo irradiador de notícias, mas milhões, e em nenhum momento da história uma pessoa pôde falar com outras nessa escala e com essa facilidade. 

Agora pessoas se comunicam diretamente entre si (peer-to-peer), sem intermediários, e assim, versões oficiais podem ser contestadas, mentiras podem ser expostas e estruturas de manipulação da opinião pública (como as da grande mídia) podem ser abaladas. E, o melhor: isso ocorre quase no mundo inteiro. 

Seria ocioso citar as centenas de novos canais de comunicação com grande alcance surgidos no mundo e sua capacidade de influenciar no debate público, sobretudo com a eleição de candidatos anti-establishment (bons ou ruins), porque você os conhece. As estruturas de poder foram abaladas e aqueles que controlavam a opinião pública simplesmente não sabem o que fazer com isso, porque há em curso uma guerra de versões que nunca havia sido lutada. E, o melhor, a mídia mainstream está perdendo. 

Contudo, mesmo após as flagelantes derrotas dos últimos anos, em vez de reformular sua atuação e tentar reconquistar o público perdido, a grande mídia (e a grande estrutura de poder que a sustenta) resolveu dobrar a aposta e partir para o ataque: inúmeras são as tentativas de desqualificar a mídia alternativa (que não é perfeita); inúmeras são as notícias de censura de usuários no Facebook, Twitter e Whatsapp e inúmeras são as iniciativas de criação de empresas de “facts-checking” (controladas por elas) para dizer à Sociedade o que é verdade e o que é mentira. 

Novamente, vão se estrepar, porque vão colocar a mídia alternativa e seus milhões de seguidores, numa cruzada em defesa da liberdade de expressão. 

De qualquer modo, todas as iniciativas citadas se inserem na grande narrativa de combate às “fake-news”, com a qual eles têm se saído bem, já que conseguiram inverter conceitos com a utilização daquela velha tática de Lênin: “acuse-os do que você é; acuse-os do que você faz”. Mas, isso é assunto para o próximo artigo. 

* FELIPE LUIZ DE OLIVEIRA, advogado e ativista político. 
 


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