ECONOMIA
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É MUITA CARA DE PAU...
RICOS QUEREM BRINCAR DE CAVALINHOS NA CIDADE ENQUANTO COMÉRCIO QUEBRA

ABQM e Siran botam Dilador Borges na parede em meio à pandemia de Covid-19 e vésperas de eleição

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Representantes da ABQM (Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha) e do Siran (Sindicato Rural da Alta Noroeste), literalmente mascarados, fizeram na tarde desta terça-feira (16), ao prefeito Dilador Borges (PSDB), pedido de autorização para que possam realizar na cidade o 43º Campeonato Nacional do Quarto de Milha. Uma proposta, no mínimo, cretina pelo momento que a cidade vive, em meio a uma pandemia de proporções imensuráveis.

O pedido não seria mais enfadonho se não tivesse acontecido justamente no dia em que a cidade bateu recorde de vítimas da Covid-19, a mortal doença causada pelo novo coronavírus. Em um período de apenas 24 horas, 30 pessoas ficaram comprovadamente doentes e outras 32 passaram a ter acompanhamento e tratamento domiciliar por terem sido contagiadas pelo vírus que já matou mais de 45 mil pessoas e infectou outras 920 mil só no Brasil.

Com todo respeito, o que aconteceu nesta terça-feira, no Recinto Clibas de Almeida Prado, que diga-se de passagem pertence ao município e cujo uso só foi concedido temporariamente ao Siran – o sindicato não é dono de absolutamente nada lá dentro – foi vergonhoso. Mostrou que os ricos criadores de cavalos de raça estão, literalmente, dando bananas aos pobres coitados que tanto têm sofrido com a Covid-19. Em especial, pequenos empresários, comerciantes nanicos que fazem de tudo um pouco para sobreviver por conta de tantas regras que os impede de trabalhar como gostariam.

Os donos dos cavalinhos pocotó tratados a pandeló – no caso, alfafa de finíssima qualidade, feno de primeira linha e insumos vitamínicos que devem custar a renda inteira de muitas famílias araçatubenses – gozaram com toda virilidade de suas genitálias na cara dos araçatubenses ao proporem algo que tem sido barrado na maioria dos estados brasileiros e no mundo, em especial onde os governantes sérios têm tratado a Covid-19 com mais seriedade ainda.

Pedir para brincar com seus valiosos cavalinhos num complexo que a ABQM construiu num recinto que é do povo de Araçatuba só porque a administração municipal arreganhou as pernas para fazer bonito a uma entidade que pensa mais nela do que em quem passa fome, é o verdadeiro fim da picada.

E não há argumentos capazes de, neste momento, convencer os mais lúcidos de que a brincadeira de granfino se justifica. Mesmo com uma série de medidas apresentadas pelos elitistas representantes da entidade que tentaram persuadir Dilador Borges, prefeito que caminha para disputar uma reeleição e que vê a Covid-19 adoecer mais de 300 pessoas e matar outras 9 na cidade, o tal grandioso evento dos ricos que brincam de criar cavalos de raça só acontecerá se o chefe do Executivo mandar às favas o que ainda possui de juízo.

Se não outros, este site, 018 News, mesmo considerado pequeno para alguns e até insignificante para outros, não irá se calar diante de tamanha desfaçatez de gente que não é de Araçatuba e que aqui desembarca, periodicamente, com a cantilena de que tais eventos enchem a cidade de milhões em receitas. Um exagero para quem vê o tanto de campeonatos que a ABQM já realizou em Araçatuba e quão quebrado se encontram os cofres municipais.

Dilador, que ainda tem, até as eleições, um provável grande desgaste a enfrentar por conta da escandalosa Operação #TUDONOSSO que deflagou um esquema de corrupção envolvendo os cofres da Prefeitura, conforme indicam as investigações da Polícia Federal, tem muito mais com o que se preocupar do que ficar dando aval a gente que não precisa de muito esforço para ver notas e mais notas brotarem em suas carteiras enquanto os pobres, o povo que sequer tem acesso a tais competições por vergonha, muitas vezes, de se apresentar diante de gente “tão importante”.

Se as Olimpíadas de Tóquio, no Japão, foram adiadas para 2021 em respeito à saúde pública, aos atletas – muitos deles pobres –, não é a poderosa ABQM nem o Siran quem deve, na lábia, tentar empurrar goela abaixo de uma cidade uma competição que só vai beneficiar seus associados.

Os representantes da entidade, assim como os do Siran, deveriam ter vergonha na cara em apresentarem proposta tão repugnante, em meio a sorrisos e caras de poderosos que só não brilharam em demasia por conta das máscaras que usavam e falta de doses generosas de óleo de peroba.

A decisão sobre a brincadeira com os cavalinhos de raça da ABQM está nas mãos de Dilador. Muito provavelmente, o resultado das eleições deste ano, e o possível voto dos pobres e comerciantes que nele ainda acreditam, também.


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