A Santa Casa de Araçatuba recebeu certificação da Central Estadual de Transplantes de São Paulo pelo desempenho na captação de órgãos e tecidos. O reconhecimento destaca o trabalho da equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT), que atua na busca de potenciais doadores, diagnóstico de morte encefálica, acolhimento das famílias e captação.
Segundo levantamento divulgado pelo hospital, em 11 anos de atuação, a equipe realizou 462 protocolos de morte encefálica, que resultaram em 162 captações efetivas. Os órgãos captados possibilitaram 358 transplantes, sendo 238 rins, 90 fígados, 18 corações e seis pulmões.
A cerimônia de entrega do certificado ocorreu na última terça-feira, dia 15 de setembro, e contou com a presença da enfermeira Regiane Sampaio, coordenadora da Organização de Procura de Órgãos (OPO) do Hospital de Base de São José do Rio Preto.
A Santa Casa de Araçatuba é referência em alta complexidade para 40 municípios da região, com destaque para as áreas de neurologia clínica e neurocirurgia, que concentram parte importante dos casos relacionados ao diagnóstico de morte encefálica. O hospital registra, em média, mais de 40 notificações por ano de morte encefálica e óbitos por parada cardiorrespiratória.
TRABALHO ESPECIALIZADO
A e-DOT realiza a busca ativa de potenciais doadores e acompanha o processo de diagnóstico de morte encefálica, que segue protocolo médico específico, com avaliação por dois médicos diferentes e exame complementar.
Após a confirmação, a equipe acolhe os familiares, esclarece o processo e verifica a possibilidade de doação. Com a autorização, também acompanha a manutenção do doador até a chegada das equipes responsáveis pela captação.
Segundo o médico Rafael Saad, coordenador da e-DOT, nem todos os protocolos resultam em doação. Entre os motivos estão contraindicações médicas, alterações identificadas durante o protocolo e a recusa familiar.
Na Santa Casa de Araçatuba, a taxa de recusa familiar foi de 23% nos últimos 11 anos, segundo os dados apresentados pela instituição.
DOAÇÃO DE TECIDOS TAMBÉM CRESCE
Além dos órgãos, a equipe contribuiu para a captação de tecidos. No período, foram registrados 204 doadores de córneas, 31 de válvulas cardíacas e nove de ossos.
A captação de córneas apresentou crescimento expressivo, passando de nove doadores em 2015 para 85 em 2026, até agosto. O resultado está relacionado ao aumento da equipe, que permite a busca ativa diária em casos de óbito por parada cardiorrespiratória.
As córneas são retiradas após autorização da família e encaminhadas ao Banco de Olhos do Hospital de Base de São José do Rio Preto, com transporte realizado pela Secretaria Municipal de Saúde de Araçatuba.
HISTÓRIAS MARCADAS PELO TRANSPLANTE
O evento também reuniu pessoas que tiveram suas vidas transformadas pela doação de órgãos. Entre elas estavam Robson Abdias de Macedo, que recebeu dois transplantes de córnea, e Graziele Furquim do Amaral de Farias, que recebeu um rim do próprio filho, Kauan.
A história de Graciele foi contado pelo 018 NEWS em janeiro de 2023, quando ela recebeu o transplante, após a confirmação da morte encefálica do filho, vítima de um acidente de moto. O procedimento encerrou a necessidade de hemodiálise e permitiu que ela retomasse a rotina, mantendo acompanhamento médico periódico.
O serviço de doação de órgãos da Santa Casa foi criado em 2015 como comissão interna e passou à estrutura de Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOT) em dezembro de 2025, após reestruturação do Ministério da Saúde.
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